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ZENOBIA
palafita-caleidoscópica

ZENOBIA

Autor Rafael Oliveira
Equipe Maria Eugenia Rodrigues Alcantara
País Brasil

Por um processo de metalinguagem, nossa contribuição conceitual coloca em comparação os dois movimentos de auto-organização que ocorrem simultaneamente nos territórios do planeta: os processos dinâmicos de auto-organização da paisagem por meio de eventos catastróficos e os processos dinâmicos de auto-organização da cidade por meio da vida em comunidade que gera, graças aos dissensos, a política como uma forma de consenso dos dissensos (RANCIÈRE, 2009). Nossa crítica se direciona ao mal funcionamento da auto-organização urbana que tem se apresentado pouco representativa e pouco acessível aos seus cidadãos. Nossa lógica se constrói aqui: o movimento de auto-organização urbano vem caracterizando-se predominantemente por ocupar todo espaço livre possível de monetarização. A gentrificação de áreas urbanas por meio de grandes movimentos de especulação imobiliária faz com que nessas áreas haja uma acelerada verticalização de edifícios que tomam o horizonte. Levando em consideração esse caráter cancerígeno de metástase dos edifícios pela especulação imobiliária e tratando do site especific escolhido por nós, propomos uma metalinguagem desta metástase de edifícios na própria área da palafita que já se encontra em um espaço de multiplicação, reflexão e caos.
Essa metalinguagem baseia-se na multiplicação de maneira irregular e caótica de pilares nas áreas livres da palafita, de forma a aumentar ainda mais o efeito caleidoscópico do espaço, mas evidenciando uma super acumulação de pilares de maneira assimétrica, implantados em dimensões e escalas variadas. A ideia de fazer uma superprodução de pilares saindo da ordem inicial dos pilares da palafita, é uma forma de criticar e fazer referência à implantação de edifícios em locais inadequados e também à superprodução deles sem nenhum tipo de tratamento estético, que foi justificado pelo engenheiro civil Leonardo Augusto dos Santos em entrevista para o jornal Daqui de Belo Horizonte: “O jeito que essas construções foram feitas, e esses pilares foram colocados, está correto. Cobri-los seria apenas uma questão de estética”.Se é plausível a construção de palafitas como as construídas na superfície acidentada do Bairro Buritis sem que haja a preocupação de tratamento estético neles, nada mais adequado – pela lógica do engenheiro - do que ocupar literalmente todo espaço livre, ate mesmo os mais inóspitos como o das próprias palafitas. Pretende-se atribuir um caráter absurdo tal qual os das cidades invisíveis de Calvino que por meio das descrições de cidades impossíveis, acaba por declarar como o absurdo dessas cidades já está implantando na nossa realidade, evidenciando que já habitamos o absurdo.

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ordem por palafita / classificação / país

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palafita-comum

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