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Invisíveis Informais
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Invisíveis Informais

Autor Fernanda Silva Freitas
Equipe Fernanda Silva Freitas, João Pedro Otoni Cardoso, Felipe Arlindo Silva
País Brasil

Os últimos 15 anos tem sido de expressivo crescimento para a indústria da construção civil no Brasil. Em especial entre 2008 e 2015 os investimentos na área cresceram bem como as remunerações e formalizações dos profissionais.
Mesmo com esse crescimento notável, as cidades de hoje não caminham de maneira tão direta em direção a igualdade social, nem ao acesso à moradia e vida digna. Se há fomento na indústria da construção civil mas ainda há pessoas vivendo em situação de dificuldade ou até mesmo sem moradia, onde há o retorno à sociedade desses investimentos? Quem são as peças da máquina da construção civil?
Segundo a PNAD, em 2013, cerca de 9 milhões de pessoas eram empregadas pelo setor da construção civil, ou seja, aproximadamente 4% dos brasileiros auxiliam nas construções pelo país e ainda assim, há 33 milhões de pessoas que não tem onde morar, segundo o Programa das Nações Unidas para Assentamento Humano.
É no contexto de entender o “outro lado da moeda”, as realidades do trabalhador da construção civil e no debate sobre igualdade social que esta proposta se insere.
A proposta de intervenção artística apresentada segue alguns conceitos e busca incentivar a reflexão sobre os outros territórios que são invisíveis nas cidades. No caso desta intervenção, trata-se de maneira mais específica das invisibilidades da construção civil e os contrastes entre aqueles que produzem e aqueles que consomem.
Os vazios resultantes de escolhas projetuais questionáveis dão voz, luz e cor as realidades e cotidianos de diversas famílias brasileiras, que tem na construção civil sua fonte de renda principal. Esses vazios serão, portanto, preenchidos com aqueles profissionais que auxiliaram na construção dos edifícios.
Propõe-se a construção de uma pirâmide invertida composta por capacetes da construção civil, típico e conhecido equipamento de proteção individual. Esses capacetes, assim como na construção civil, terão as cores determinadas de cada função, bem como a quantidade e proporção equivalente à uma equipe de obra. Buscou-se uma média geral de funcionários em uma obra - de porte e padrão semelhante às selecionadas pelo Outros Territórios no Buritis -, considerando um total de 100 funcionários.
Com isso, a maior parte dos capacetes serão compostas por pedreiros e serventes, evidenciando a base larga desta estrutura invertida. No ponto mais estreito dela surgem os engenheiros e arquitetos, em número reduzido, mas com visibilidade muito maior que os outros.
A pirâmide busca marcar essa hierarquia de funções da construção civil, mas principalmente questionar onde estão os territórios dessas pessoas? Porque há um vazio não-ocupado, há a participação das pessoas, mas não há visibilidade? Depois de um dia de obra quem são elas? Qual é a sua realidade?

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