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projetos selecionados

1 Nuvem
palafita-pomar

Nuvem

Autor Juliana Sicuro Corrêa
Equipe Vitor Garcez, Larissa Monteiro
País Brasil

Uma estrutura em tubos de aço galvanizado forma uma grid espacial.
Essa grid intercepta a estrutura de concreto existente e nela é fixada.
Junto a uma caixa d’água de reuso, compõe um sistema de irrigação e banho para plantas e pessoas.
Um piso é criado dando acesso à cota elevada.
A caixa é então coberta por uma fina camada de tela agrícola que possibilita também o cultivo de ervas e hortaliças.
A caixa vazia circunscreve um espaço-estufa.
Cria um interno e também um por de trás. Uma nuvem flutua, esguicha, refresca, agrega e cultiva.
O sol oferece boas condições de estar.
O pomar floresce.

comentários do júri


O conceito da proposta, além de configurar um novo microclima local e público, é muito adequado por ocupar-produzir o espaço nas conexões entre público e privado, trazendo a ludicidade de um modo menos funcionalista. Destaca-se a escala da proposta e o fato de deixar um legado para o bairro.

Para a segunda fase, sugerimos:
- Revisão sobre a necessidade do acesso à estufa, tendo em vista que a escolha pelo sistema de lajes não nos parece adequada para a estrutura metálica proposta;
- Investimento em um sistema de recirculação e armazenamento da água;
- Investimento em iluminação para o pomar.

2 TRAMA
palafita-gigante-I

TRAMA

Autor João Nitsche
Equipe Joao Nitsche, Pedro Nitsche, Lua Nitsche, Bruna Brito, Claudia Carpes, Denis Ferri, Eric Ferri, Flavia Schikmann, Gil Barbieri, Luciana Silva, Mara Cruz, Marcelo Anaf, Mariana Vilela, Pamela Gomes, Renata Mori, Rodrigo Tamburus
País Brasil

Trama é um projeto de intervenção urbana feito especialmente para as estruturas/palafitas do bairro residencial de Buritis, Belo Horizonte-MG. As vigas e pilares destes “esqueletos urbanos” conformam enormes estruturas tridimensionais que servem de base para a construção do trabalho. A intervenção é composta por telas fachadeiras entrelaçadas às estruturas de um dos edifícios escolhidos para ser objeto desta proposta.

comentários do júri


Propõe um uso inesperado das telas fachadeiras (referência à tecelagem artesanal), tão recorrentes na construção civil e em instalações desta natureza, criando tramas à maneira da lógica da cestaria ou de outras práticas populares no Brasil. Uma lógica reconhecível por todos, além de apropriável. Pensa de forma pertinente a formação de núcleos espaciais e a sua visibilidade noturna.

Entre as propostas selecionadas para a Palafita-Gigante 1, é a que mais se adequa para realização.

3 Dimensão Livre
palafita-gigante-II

Dimensão Livre

Autor Amanda Barbosa Da Silveira
Equipe Lucas Veloso Schwab Guerra, Amanda Barbosa Da Silveira
País Brasil

Como uma aberração arquitetônica, a edificação sob palafita localizada na rua Maria Heilbuth Surette, 1295, a gigante, foi escolhida para abrigar a intervenção dessa proposta pela sua alta visibilidade no nível do pedestre e sua oportunidade de abertura à rua. O seu aspecto “submundano” e sua escala sob o terreno criam uma possibilidade de organizar um percurso permeando a palafita no sentido de vencer seu desnível e percorrer sua extensão. Subir, atravessar e descer. A proposta lança mão da movimentação e do reposicionamento de suas terras numa prerrogativa de evidenciar e questionar o valor da terra. A instalação se insere na paisagem com um aspecto cru a partir da escolha dos materiais - terra, pedra, metal e madeira - por meio de um circuito dividido em três trechos. Dentre altos e baixos de terra batida e concreto, cheios e vazios, usos e não usos, a experiência se apresenta de forma dicotômica e sensorial. A instalação revela um caráter efêmero, precário e inútil da arquitetura indicando a irracionalidade de processos urbanos e políticos da disciplina edilícia.

comentários do júri


Proposta conceitual bem fundamentada e radical, a partir da relação com a materialidade da terra, para a conformação da instalação.

É um convite ao pedestre para adentrar um espaço que é recôndito e escondido. Exalta a relação do vazio com o espaço construído, com o ar e a terra, e com o valor que pagamos para morar na cidade.

Técnicas exequíveis e criativas para estabelecer o percurso do visitante, mas com um orçamento elevado.

Pontos que podem ser aprofundados na Fase 2:
- O orçamento poderia ser mais detalhado e prever refletores para o uso/visitação noturna e para enfatizar o projeto proposto.

4 MOSTRA TERRITÓRIOS IMPRÓPRIOS
palafita-gigante-I

MOSTRA TERRITÓRIOS IMPRÓPRIOS

Autor Pedro Maia
Equipe Eduarda Kuhnert, Luiza Schreier, Diego Franco, Marcos De Amorim, Fernando Bonini
País Brasil

Partimos do encontro entre uma publicação independente sobre arte e um grupo de arquitetos para idealizar um espaço de acolhimento para certos encontros mediados pelo cinema, nesse caso, um auditório entre as vigas de uma construção vazia. Quais são as relações possíveis entre a arquitetura e o cinema? Onde moram as interseções entre ocupar o vazio de um espaço e o vazio da imagem? O que uma estrutura em redes cujo labirinto solicita uma caminhada diz sobre uma mostra de filmes que mergulham nas rotas das cidades?
Sabemos que o cinema é importante ferramenta de problematização dos espaços, enquanto fábrica de possibilidades para o real, o que justifica nossa opção pelo cinema como mediador das ações propostas no projeto. Enquanto espacialidade, apostamos nas potências da circulação, a partir de uma construção que age naquele local propondo o trânsito de pessoas por vias antes não imaginadas ali. Assim também fazem as imagens em movimento do cinema: desnudam hábitos, diluem fronteiras imaginárias e reconfiguram os trajetos. Além disso, torna-se importante atentar que o cinema brasileiro já filmou e homenageou em inúmeros exemplos a experiência da deriva: desde o cinema marginal, representado pelas estratégias perturbadoras de ser na cidade de Copacabana Mon Amour, de Rogério Sganzerla, até o cinema contemporâneo de Notas Flanantes, de Clarissa Campolina, que lança seu corpo em lugares desconhecidos escolhidos por sorteio no mapa de Belo Horizonte.
Intitulada Territórios Impróprios, a mostra proposta nesse projeto é desdobramento de uma série de encontros sobre cinema promovidos pela revista que assina a curadoria dos filmes. A cidade já foi tema de interesse dos editores da publicação tanto em uma edição específica sobre as questões que envolvem uma vizinhança assim como em sessões de cineclube. Como um laboratório no qual, através das narrativas do cinema, seja possível imaginar coletivamente outros meios de experienciar e conhecer a cidade, propomos cinco encontros e a exibição de nove filmes brasileiros contemporâneos, entre curtas e longas-metragem, oriundos de diferentes cenas locais. Vale ressaltar que o período de duração da mostra pode ser reavaliado, uma vez solicitado pela organização do Festival Cultural citado no “Edital Outros Territórios”. Além disso, nos interessa imensamente que a estrutura espacial continue a ser habitada por membros da comunidade local, seja incentivando a criação de cineclubes ou mesmo rodas de conversa para pensar questões e problemas do entorno.
A mostra será inaugurada com o filme Iluminai os terreiros, de Eduardo Climachauska, Gustavo Moura e Nuno Ramos, que parte de uma instalação de onze postes de iluminação dispostos em círculo, montados em áreas inóspitas na região montanhosa dos arredores de Belo Horizonte. Segundo Ramos, esse círculo de luz que ilumina o vazio “quer descobrir o noturno, o hiato, o esquecido, o inacessível, o de passagem e a paisagem que nunca se fixa” .

comentários do júri


Projeto que propõe uma boa ocupação da palafita e contempla uma programação para seu uso. Tecnicamente bem elaborado, configurando em detalhes uma excelente mostra audiovisual voltada para as questões próprias do espaço.

Há ressalvas sobre sua execução, pois o orçamento contempla apenas o projeto arquitetônico. Os custos relativos à Mostra de Cinema devem ser discutidos e negociados na Fase 2 para viabilizar sua realização.

Nota-se também que não há nenhuma especificidade espacial, ou seja, nos parece que a mostra poderia ser realizada em outra estrutura – a proposta é flexível e poderia ser adaptada para outros contextos vizinhos.

Pontos que podem ser aprofundados na Fase 2:
- Os custos da proposta arquitetônica devem ser mais detalhados (os valores nos parecem subestimados) e,
- O orçamento da Mostra de Cinema deve ser apresentado.

5 O Casamento entre a Razão e a Miséria
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O Casamento entre a Razão e a Miséria

Autor Luiz Solano
Equipe Luiz Solano, Gabriel Biselli
País Brasil

O casamento entre a Razão e a Miséria* é a união de dois corpos. Não opostos, mas distintos. Dois corpos. De mesma ascendência, um deles é a reprodução em escala de parte do Edifício Niemeyer (1954) e o outro a Palafita 06 (década de 1980).

União sagrada e profana, porque fruto do acaso e também de um arranjo, os dois corpos se atraem pelo rigor geométrico: a regularidade de um se funde à sinuosidade do outro. Contenedor de todas as formas, o espaço aberto do grid desloca e ampara os 7.000 metros que distam a Praça da Liberdade do Bairro Buritis.

O mock-up do Edifício Niemeyer é a extrusão do perímetro de um pavimento-tipo repetida em toda a altura da Palafita. Os planos verticais do Edifício – construídos a partir de chapas de compensado resinado, comum aos canteiros de obras – são destacados pela sua coloração rosa e quando interrompidos pela declividade do terreno e devassados pelos pilares e vigas da Palafita.

Ao invés de solução técnica, o casamento é um projeto decididamente formal e plástico. A escolha da Palafita 06 é justificada pela ausência do acesso público. Os dois corpos devem ser contemplados de longe ou por reproduções – é prevista a exibição dos desenhos e fotografias de sua construção nos potenciais espaços expositivos desenvolvidos pelos outros participantes.

Seguindo a tradição dos arranjos, essa união tem objetivos claros. Coloca à luz desenho e construção, ao mesmo tempo que, sem nostalgia, reescreve os desafios e as pesquisas da arquitetura nacional de outrora. Êxito e falência em lua de mel.



* Em The Marriage of Reason e Squalor, II (1959), Frank Stella usou tinta automotiva de esmalte preto comercial (enamel) e uma escova de pintura residencial para construir as grossas faixas pretas da tela. As dimensões das faixas são da mesma largura do pincel utilizado. As finas linhas brancas não são pintadas; são lacunas entre as faixas negras nas quais a tela “crua” é visível. Stella construiu as faixas pretas paralelamente entre si e às bordas da tela, rejeitando pinceladas expressivas em favor de uma estrutura geral, reconhecendo a tela como superfície plana e, ao mesmo tempo, um objeto tridimensional.

Stella identificou seus materiais e processos com os de um trabalhador de fábrica. Sobre a maneira de pintar, Stella disse: “Minha pintura é baseada no fato de que apenas o que se pode ver está lá ... O que você vê é o que você vê”. Em vez de pintar algo “reconhecível”, a pintura de Stella é sobre o próprio ato de pintura, seus meios e seu resultado.

(Verbete traduzido e adaptado livremente a partir do glossário online do MoMA. Disponível em https://www.moma.org/learn/moma_learning/frank-stella-the-marriage-of-reason-and-squalor-ii-1959. Último acesso em 04 de fevereiro de 2019, às 23h33 – São Paulo - SP, Brasil.)

comentários do júri


Proposta simples e poderosa com bela representação gráfica.

O arquiteto mais icônico do Brasil, com suas formas específicas, é colocado em contraste com o local proposto. No entanto, mesmo o seu edifício emblemático, o Ed. Niemeyer, conforma uma palafita! Nesta ótica, a proposta promove um encontro inusitado entre Modernismo X Buritis / Pilotis X Palafitas, elementos dissonantes mas também semelhantes.

Pontos que podem ser considerados para Fase 2:
- Quais seriam as atividades desempenhadas neste espaço? O público poderá adentrar a instalação?
- Materiais translúcidos poderiam ser especificados para configurar uma lanterna à noite?
- O edifício selecionado é emblemático por suas lâminas/brises soleils. Não seria oportuno exaltar este aspecto ao levar sua geometria para outro contexto?
- O júri ressalta que a proposta é uma conexão forçada entre elementos distintos da cidade, mas a escolha do título da proposta não nos parece adequada: a associação entre as faixas sugeridas pela obra de Frank Stella (ligadas diretamente à materialidade da pintura e todo o debate em torno dessa questão no contexto da época) e os brises de Niemeyer poderia ser considerada.
- O que é, na relação sugerida pela proposta, a Razão e a Miséria?

6 Oceanário Artificial Internacional [ BURITIS ]
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Oceanário Artificial Internacional [ BURITIS ]

Autor Daniel Jesus
Equipe Daniel Jesus
País Brasil

Sobre a obra:

“Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é: a coragem minha. Buriti quer todo azul, e não se aparta de sua água - carece de espelho”.

É neste trecho do livro “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, que esta obra encontra o seu dispositivo. Assim como a admiração da Secretária de Planejamento Urbano de Belo Horizonte em 1976, Dra. Ismaília de Moura Nunes pelo autor e que batizou em sua homenagem o bairro com o nome BURITIS - sendo Buriti o nome de uma palmeira muito presente na obra de G. Rosa -, a intervenção artística “Oceanário Artificial Internacional [ BURITIS ]” encontra a sua criação e estímulo inspirados no “Todo Azul” poético, no “Não se apartar da água” como desejo conceitual e visual. Mas não somente a água em toda a sua potência com nascentes, rios e bacias, mas a água (e, principalmente, a vida) dos oceanos, somando-se inevitavelmente ao resgate da utilização das palafitas em suaS origeNS, enquanto sistemas construtivos de sustentação em edificações localizadas em regiões alagadiças, desde o período neolítico. Daí o surgimento da presente ideia: construir na palafita 09 (Maria Heilbuth Surette),uma das maiores do circuito traçado no presente edital “Outros Territórios”, um Oceanário Artificial, transformando este extenso espaço inativo, inóspito e ignorado, em foco de refúgio, de contemplação, de curiosidades e quem sabe, de sensibilidades.

Um oceanário que pede atenção nacional e internacional, Um oceanário artificial construído com bóias e botes infláveis de animais realísticos e obviamente, também a representação do lixo produzido e descartado pelo ser humano, instituindo todo um universo de plástico. Afinal, como falar um oceano, de um rio, de uma mata, de uma floresta hoje em dia sem esses novos elementos intrusos e mortíferos que infelizmente fazem parte da atual natureza? Segundo dados da Assembleia Geral das Nações Unidas, ainda de 2018, cerca de 80% dos plásticos produzidos no mundo terminam nos oceanos, significando entre oito e doze milhões de toneladas por ano e que os microplásticos já se encontram no sal e na água. Consequentemente se presume que cada pessoa no planeta tem plástico em seu corpo. A poluição por plástico nos oceanos é um desafio à escala global, como o desafio das alterações climáticas, e é um perigo para todas as espécies, incluindo a espécie humana.

comentários do júri


Proposta com aspectos plástica e conceitualmente positivos, divertida e irônica. (Um aquário no alto da montanha em um estado onde não há mar!). Este projeto enfatiza a possibilidade de que este espaço poderia abrigar um oceanário.

Durante a noite é impressionante e pode ser avistado de longe. É pertinente ao local proposto. No entanto, não conforma um espaço de permanência...

Sugerimos que na Fase 2 alguns pontos sejam repensados ou analisados:
- Como os objetos ficarão suspensos em seu devido lugar?
- Qual seria a ocupação no período matutino?
- Presente em toda a estrutura, o fundo azul é fundamental na definição visual da proposta. Tecnicamente, como será obtida a distribuição dessa luz tão uniforme e onipresente?
- A organização pode coletar ou pegar emprestado objetos marítimos e/ou de piscina de vizinhos que os pegariam de volta no final da mostra.

7 Turbina Eólica Urbana
palafita-gigante-I

Turbina Eólica Urbana

Autor André Brandão
Equipe André Brandão
País Brasil

Proposta de um sistema de captação de energia eólica a partir de turbinas instaladas nas vigas da palafita. Além de gerarem energia para o edifício, as turbinas de eixo vertical, se comportam como esculturas cinéticas refletindo a luz e a paisagem do bairro. Esta intervenção propõe uma reflexão sobre a produção de energias renováveis em meio urbano, como solução para a economia de recursos e preservação do meio ambiente.

comentários do júri


É uma proposta que busca a experimentação e explora alternativas ecológicas na ocupação da cidade com simplicidade. Reflete o uso dos equipamentos urbanos.

Para a Fase 2, sugerimos:
- Qual é a energia gerada? Seria possível iluminar o espaço da intervenção com a mesma?
- Seria possível, devido à escala, inserir esta escultura em outro espaço?

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